quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Desfecho


     

      Levantou-se ajeitou a blusa, arrumou os cabelos e seguiu. Caminhou até a lixeira, amassou o pequeno papel e colocou lá dentro com toda força.
      Ficou olhando por um tempo, talvez para ter certeza que ele ficaria lá dentro. Era lixo e era ali o seu lugar.
      Olhou a sua volta. O sol insistia em brilhar em um céu sem nuvens.
      Quente. Muito quente. O suor escorria-lhe pelo rosto e confundisse com as lágrimas. Já não as sentia mais. Com o braço limpou-as, mas seu rosto permanecia molhado.
      A parte pior coubera-lhe. Jogar no lixo as suas histórias. Todo amor precisa de liberdade. Então o libertava.
      Caminhou por entre inúmeros rostos. Desviou de alguns, mas outros esbarraram seus olhos nos seus. Estava despida, podiam ver sua alma, sua dor, seu lamento. Nenhum amor é grande o suficiente para abarcar a mais íntima solidão.
     Percorreu a infinita rua, virou a esquina.   Não olhou mais para trás. Olhos fixos no horizonte.
Foi-se. Afinal, o amanhã lhe traria outro dia, outros sonhos, outras possibilidades, e porque não, outros amores?

Zana Ol


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